sexta-feira, 8 de junho de 2012

Olhos.

Tudo bem, eu admito. Admito que os tenho para você e ninguém mais, ou melhor, eu os tenho somente para os seus, que, tão azuis, são como o mar mais profundo e quente. É por eles que os meus, duas piscinas de lama perto dos seus, diluviam-se ao ver-te longe deles, longe do coração.
Pois foi assim, em um piscar deles que sumiste da minha vida. Em uma hora só os tinha para mim, na outra eu não a tinha mais. E foi nesse piscar que já estava com aquele outro rapaz que, convenhamos, não te merece. Aquele outro rapaz que, segundo me disseram, você já desejava ainda antes de ser minha. Aquele rapaz que você comia com os dois luares que enfeitam o seu também lindo rosto enquanto me beijava, mas mesmo assim eu não acharia problema que o amasse se apenas continuasse comigo, se as minhas pedras pretas sem graça não vissem, o meu coração não sentiria.
Mas não atendeu a essas minhas súplicas, você fechou suas cintilantes pérolas aos meus suplícios, e embora eu te desse tudo que pedia, não importando se custariam minhas duas jaboticabas amargas, pouco importaria, se eu apenas pudesse tê-la.
Agora está longe, e eu só posso escrever essas frases que você nunca lerá. E, honestamente, não importa, pois eu sei que você nunca conseguiria olhar nos meus olhos e dizer que um dia me amou.

Olhos.

Meus olhos estranharam ao rever aquele lugar nostálgico, tão igual e diferente. Eles não paravam no lugar, a procurar por você, em todos os cantos, a ignorar tudo que não te fosse, que não fossem teus olhos. Ansiosos, corriam mais que minhas pernas, de um lado pro outro, até que te encontraram, e sorriram tímidos.
Seus olhos evitaram encontrar com os meus, apesar do sorriso na boca e do menear da mão, eles fugiram e foram para qualquer lugar que os meus não estivessem. 
Meus olhos ficaram irrequietos, meu coração turbulento. O chão era tudo que eles olhavam, com medo, com anseio. 
Seus olhos estavam frágeis, por mais que olhasse para cima, não conseguiam se manter confiantes, sabiam o que estava por vir.
Nossos olhos se encontraram. Não sei o que você disse, não ouvi uma palavra sequer, mas seus olhos, oh, seus olhos, quanta dor, quanta tristeza. E meus olhos, apenas lágrimas, e para sempre a sua imagem indo embora, com aqueles pequenos olhos, cheios de água, cheios de melancolia.
Nunca esquecerei, aqueles pequenos olhos.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Especial.

Longe de mim ser especial,
alguém importante que as pessoas precisem,
algum gênio a quem aspirem.

Imaginem só, ser especial,
ser tratado diferente, 
sendo que ninguém é igual à gente.

Prefiro ser normal,
nunca quis ser o primeiro, 
nem o primeiro a não querer.

Posso até ser anormal, esquisito
estranho!
A ser um especial de merda.

Especial.

Aquela menina disse-me que sou especial.
Só podia estar chamando-me de estranho
Com seus eufemismos e caprichos.
Mas ela dizia que falava sério,
Eu realmente era especial.

Ao chegar em casa tinha de confirmar,
Olhei no espelho, procurei em vão.
O mesmo sorriso tedioso,
O olhar sem expressão.
Nada de mais, honestamente,
Se algo era especial,
Era especialmente sem graça.

Aquela menina disse-me que sou especial.
Eu duvido, ela está a falar loucuras,
Especial não, nada disso.
Aquela menina disse-me que sou especial,
Na dúvida, é melhor não acreditar.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Coração de pelúcia.

Se lembra de quando seu aniversário passou e pensou que esqueci do presente? Não comentou por educação, mas no fundo estava a remoer-se porque não te dei algo tão caro quanto aquele rapaz, ou algo que te faria lembrar de mim, como fez uma amiga sua qualquer. Mas estava enganada, querida, completamente enganada, pois dei-te algo que você nem sequer sabia que era teu, e que é mais caro que qualquer presente que aquele rapaz poderia esquecer e mais identificável que o presente da tua amiga, dei-te meu coração e aposto que nem imaginavas isto. E eu o dei a você mesmo antes de chegar seu aniversário, eu o entreguei antes até de saber quando era o seu aniversário, foi questão de segundos, foi só questão de te entender.
E assim como todos os presentes que recebeu, você brincou com ele, você o aproveitou ao máximo, você abusou dele, você o usou sempre que pode, você dormia com ele, você dava-lhe tanto valor. Mas como todos os presentes que recebemos, cada vez mais você se importava menos com ele, cada vez mais você o deixava de lado e se interessava por coisas que não tinha, até ganhar o que não tinha e começar a querer outra coisa. 
Ainda assim se lembrou dele vez ou outra e o estimava de alguma maneira, até o dia em que ele rasgou, foi esse o fim de mais um dos seus brinquedos, o fim de um brinquedo teu que agora está no fundo da prateleira, escondido, pois não se mostra algo quebrado às visitas. Agora só me resta torcer para que doe esse brinquedo a alguém que precise dele mais do que você.

Coração de pelúcia.

Você passa a semana a divertir-se com seus bonequinhos, perfeitos e plásticos. Com seus brinquedinhos brilhantes e chamativos. Sempre nas melhores festas, com outros bonecos e bonecas, perfeitos e plásticos. Sem nenhum defeito, afinal, sempre estar sorriso é uma qualidade, que vocês, perfeitos e plásticos, sempre prezam.
Dia após dia, compra alegria, você e seus brinquedos, exibem fotografias. Como são perfeitos - mas plásticos.
Sua vida, repleta de novas pessoas, novos bonecos, novas brincadeiras, cada vez mais perigosas, cada vez mais divertidas.
Perfeitos e plásticos, perfeitamente plásticos, corpos moldados sem o menor defeito. Sorrisos vazios sem o menor sentimento. Plásticos mas perfeitos. Perfeitos mas plásticos. Como você vê? O que você vê? Através desses olhos acrílicos, brilhantes e vívidos - mas não vivos.
Como está linda, como são lindos, lindos e lindos. Perfeitos um para o outro.
Mas cá entre nós, quando o plástico está frio demais para ti, quando a perfeição te é perfeita demais, procuras aquele pedaço da tua vida que tentas esconder de todos, aquela ilha imperfeita nesse mar de ilusão, quando a verdade vem à tona, e teu sorriso derrete, precisa dormir abraçada com meu coração de pelúcia, de pelúcia e imperfeito.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Mau gosto.

Disseram-me que tenho
mau gosto.

Absurdo!
É tão bela e graciosa. como poderia ser
mau gosto?

Só porque você é diferente
de todas as outras, de todos
e tem um jeito único no mundo, vêm me dizer que é
mau gosto!

Bom, é claro que seu sorriso não é perfeito
seu cabelo pode ser diferente até demais
e suas roupas são desleixadas, assim como você toda
bom, pensando bem... talvez... fico feliz em ter
você