terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Uma Santa.

Com os cabelos soltos,
o peito nu, ergueu-se.
Aos céus.

Com os olhos da cor do céu e dos oceanos
olhou-me angelicamente.

Com os borrados e rubros lábios,
beijou-me a fronte.
Sorriu.

Sem ar e sem fala
"Santa Maria"
Falei.

És divina,
como a noite passada.

Oro para que não acabe,
para que não me deixe.

Uma Santa. Minha santa.

Benzeu-me com Vodka,
beijou-me de tabaco.

E me redimiu de todos os pecados
que cometemos.
Com o puro Amor.
Amém.

Uma Santa.

Sonhei outra vez contigo, querida.
Dessa vez não foi como os outros,
Não estávamos de mãos dadas
Ou juntos desde o início.

Era diferente, eu andava sem ti,
Eu andava com amigos que nunca vi
Quando tu apareceste,
Não estavas só, vinhas com pessoas à tua volta,
E usavas um vestido branco.
Mas não, não estávamos a casar,
Usavas um vestido quase cristão,
Muito embora não sejas religiosa.

Foi nesse momento que entendi tudo,
Todos os jovens que vinham atrás de ti
Estavam a adorar-te.
Pois és uma santa, meu amor,
E é por isso que não és minha.
Sou impuro, não poderei jamais te tocar.
Sou impuro.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Coração.

Ele é simples, quatro cavidades e só, e, além disso, o sangue só entra por duas delas. Mesmo assim, como é que ele pode ser invadido tantas vezes nessa minha curta vida?
Sua função também é simples, embora importantíssima, apenas bombeia o sangue por meu corpo. E o sangue, o tão lírico sangue, o sangue que carrega tanta coisa importante: oxigênio, excretas e tantas outras substâncias. Alguns livros até dizem que ele também leva emoções por meio dos hormônios. Os hormônios são críveis, mas não são a emoção. Sou todo emoção, não apenas no sangue.
E ele bate tantas vezes por dia, ou melhor, ele não exatamente bate, ele "torce". Mas por que ele torce? Torce para que ela volte? Para que você me aceite? Honestamente, não sei o motivo, embora ele tanto torça. E torce cento e dez mil vezes por dia, ou algo assim. Ainda assim eu juro, não penso tantas vezes em ti.
Ele é essencial, ele é a base da vida. Sem ele eu não viveria, mas não pois ficaria sem o que ele bombeia, e sim porque perderia o que dentro dele está.

Coração.

O coração é um órgão muscular oco que bombeia o sangue de forma que circule no corpo. Ocorre nos anelídeos, artrópodes, moluscos e cordados.
Nos seres humanos o percurso do sangue bombeado pelo coração através de todo o organismo é feito em aproximadamente 50 segundos em repouso.
Neste tempo o órgão bombeia sangue suficiente a uma pressão razoável, para percorrer todo o corpo nos sentidos de ida e volta, transportando assim, o oxigênio e nutrientes necessários às células que sustentam as atividades orgânicas. O coração se localiza em uma bolsa chamada caixa torácica, entre os pulmões. É um órgão muscular, pode se contrair e se relaxar.

Pois vejam bem, o coração até é bem importante e talvez não seja tão simples quanto se pensa, mas não, não cabe nenhum amor nele. Na verdade, não há nada sobre sentimentos por aqui. Ele só - só - faz o sangue passar por todo nosso corpo. Mas os sentimentos são culpa - culpa - do cérebro. O coração só vai na onda dele e bate mais forte - quer dizer, ele torce - em alguns momentos, por amor e essas coisas. Enfim, o coração nos faz viver, de verdade, sem ele estaríamos mortos. Claro que sem muitas outras coisas também, mas o que quero dizer é que o coração é muito importante para entregarmos a qualquer um. Por mais que ele tenha ou não esse tal do amor, das vidas inteiras.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Revolução.

Eu não me importo.
Eu simplesmente não me importo.

E daí se há guerra no Oriente Médio?
Pouco me importa o Oriente Médio.

Repressão, represálias e revoluções,
Não são nada para mim.

Mas se tanto querem tentar,
Pois bem, vou também ser revolucionário.

Amanhã mesmo farei uma passeata,
"Marcha pela volta do amor".

Amanhã mesmo promoverei uma ocupação,
Eu e ela em um quarto, batendo um só coração.

Revolução.

As janelas: estilhaçadas. 
As casas: reviradas.
Carros em chamas;
Ruas destruídas.

A cidade estava dividida,
não existia mais ninguém de fora.
Muitos se uniram à causa,
muitos outros foram contra.

Era uma revolução.
Quando acabasse tudo seria diferente.
Para chegar a esse ponto,
era inevitável.

Tinham um ideal,
que podia não ser o ideal,
mas lutaram,
e isso ninguém pode negar.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Julgamentos.

- Não, eu não vou jurar falar a verdade por nenhum livro nem por um país, eu falarei a verdade por ela somente.
Senhoras e senhores do júri, ela é inocente, juro que é tão inocente quanto eu, ou qualquer outra pessoa que já amou verdadeiramente.
Ao menos foi isso que aprendi nessas quase duas décadas que vivi, sou inocente. Sou sim, sempre fui tratado como tal. Desde pequeno, quando era deixado de lado nas brincadeiras, quando era posto para ser a árvore no teatro achando que era ator, e todos diziam, "pobrezinho" "como ele é inocente".
Por outro lado, a culpa é toda dela. Ela mereceu isso, era ela que dizia que me amava, foi ela que aliou-se à minha ingenuidade para assassinar minha alegria. Foi ela que disse que me amava, e que dizia coisas libertinas em meu ouvido - frases essas que, convenhamos, sequer devem ser proferidas nesse tribunal - e que quando eu, parvo, espantava-me e não onde uma garota nascida e criada em família católica aprendera aquelas palavras, dizia "Ah, como você é inocente".
Mas, bem, essa acusação não está a recair sobre mim. De qualquer jeito, meu crime é tão menos importante juridicamente quanto é mais importante realmente que o que esta jovem cometeu. Enfim, descomplicá-lo-ei: sim, eu a amei antes de tudo, sou réu confesso, eu a amei até o fim.
Talvez não devesse, mas eu sim a amei. Eu, garoto bondoso, gentil, inteligente e promissor, merecia o amor dela, ela, garota desleixada, amante da música e futura artista, não merecia o meu amor. Ao menos foi o que todos disseram: que eu era um garoto bom demais para ela, e que com ela eu não teria uma boa vida. Mas o que ninguém via era que eu sim não era bom o suficiente para ela: ela era uma garota que tinha sonhos, e eu apenas um garoto que seguia o que os outros diziam. Mas ela me salvou, senhoras e senhores do júri, ela a quem acusam veementemente, ela por quem quase morri, ela que quase me matou. Agora sou eu que corro atrás de meus sonhos, e tudo graças a esta garota. Ela mudou meu destino, então pensem muito bem quando forem decidir o destino dela.
Incrivelmente, o júri sequer precisou se reunir para discutir. O próprio juiz tomou a palavra e decidiu algo com o que todos concordaram imediatamente, a pena da jovem era simples: uma vida de amor não correspondido.