terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Nada.

Nada.
Nem um sorriso, nem uma lágrima.
Nada.
Nem um adeus, nem um até logo.
Nada.
Eu te amo, eu te odeio.
Nada.

Depois de tudo,
de tudo que passamos,
de tudo que fizemos,
de tudo que sentimos.

Tudo.
Os sorrisos, as lágrimas.
Os olás, as saudades.
Os amores, os ciúmes.

Você, meu tudo,
de mim, não quer mais nada.

Nada.

Não preciso de nada
Honestamente, não me venham com ideias.
Não preciso de sonhos nem de paz.

Não, hoje não farei nada
Não lerei, escreverei ou estudarei.
Não quero sorrisos ou algo parecido.

Às vezes é bom pensar em nada.
Às vezes é bom ignorar tudo.
Às vezes nada é tudo que queremos.

Nada: é tudo que quero.
Juro-lhes, quero apenas nada.
Dêem-me nada, eis tudo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O casal.

Logo ali havia um rapaz que era tudo que se espera de um homem: era bonito, gentil, carismático, bem-humorado e muitos outros adjetivos que denotem belas qualidades.
Ele tinha também uma extrema devoção pelo seu amor. Sempre mantinha-o próximo de si, sempre cuidava do seu amor, sempre atencioso.
Havia um outro moço que não ficava muito atrás. Ele era delicado, amável, escrevia belíssimas coisas para seu querido amor e o queria mais que tudo.
Ele possuía uma devoção igual — senão maior — a seu amor. Ele lhe escrevia todos os dias diversos sonetos e odes em louvor àquela pessoa que era sua maior inspiração.
E sim, eles eram um casal.

O casal.

Ele talvez fosse muito alto, muito comprido, assim como seu cabelo. Seu estilo era meio diferente, seu sorriso era difuso, seu olhar era confuso. Ele andava de um jeito estranho, como se sempre estivesse feliz, "alguém que sempre está feliz, nunca está feliz" diziam. Ele não era o mais bonito do mundo, não senhor, ele era muito diferente para ser belo. Ele era muito magro, muito alto. Seu cabelo era muito comprido para os padrões aceitáveis. Seu sorriso era muito escancarado para a sociedade séria e irônica.
Ela era muito baixa, pelo menos baixa demais para ele. Seu estilo era bem diferente, seu sorriso era confuso, seu olhar era difuso. Ela podia ser considerada "rechonchuda", o que não é algo bem visto. Seu cabelo era colorido, seu cabelo era estranho, seu cabelo era desgrenhado. Ela não era a mais bonita, era levemente atraente, porém gravemente diferente. Ela era muito baixa. Seu cabelo curto demais para uma dama. Seu jeito muito escancarado para a sociedade manipuladora.

E o que importava para os dois, não é possível descrever, à primeira vista.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Civilização.

Destruição, construção.
Riqueza.
Tristeza, dor, esperança.
Alegria, pobreza, esperança.
Luxo, futilidades, riqueza.
Sonhos:
enlatados, impossíveis.
Realidades:
inacreditáveis, invejáveis.
Ambição, traição, paixão, construção.

Tudo. Nada.
Preto. Branco.
Riqueza. Pobreza. Pobreza.
Construção. Construção.

Civilização.

Civilização.

Passei apressadamente pela chuva
E não vi o menino que pedia
Algo a todo mundo que passava.

Atropelei tão friamente aquela pessoa
E não senti que ela sofria
Por não voltar para sua patroa.

Ignorei todas as crianças
E veementemente não acreditei
Que nas mãos delas estão as mudanças.

Segui em frente fingindo que não
Faço parte disso. Mas eu sei
Que na verdade eu sou a civilização.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A estrela brilhante.

Ela era uma estrela dentre bilhões. Não era tão grande quanto Betelgeuse, nem tão pequena quanto RXJ-1856-37, também não era tão próxima de nós quanto o Sol.
Ela era brilhante, não no mesmo sentido em que Einstein era, ela era brilhante por sua luminosidade. É claro que não brilhava tanto quanto Rigel, ela apenas brilhava o suficiente para que a víssemos daqui da Terra.
Ela era quente, certamente lhe derreteria se você tocasse nela, mas ela não era tão quente quanto Regor.
Ela era só mais uma estrela, não fazia parte de Ursa Maior nem de outra constelação famosa. Ela era uma estrela dentre bilhões, ela era uma estrela brilhante, mas qual estrela que não é?